Carpe diem

Os cachorrinhos,

roliços e limpos,

brincavam

na areia quente.

Eram seis,

brancos

com malhas

marrom-claro.

A mãe,

deitada a pouco passos

deles, na sombra,

estava

magra e acabada,

e tão

sarnenta

que quase não se lhe via

nenhum pelo.

Embora cheia de feridas, ela

agitava a cauda,

toda orgulhosa

daqueles filhotes

redondinhos.

Provavelmente não duraria

mais de um mês,

se tanto.

Era um desses

cães vagabundos,

que vivem do que

conseguem

achar

nas ruas

imundas

ou ao redor

das aldeias

pobres,

sempre famintos

e perseguidos.

Os seres

humanos

lhe atiravam

pedras e

a escorraçavam

de suas portas;

portanto, cumpria

evitá-los.

Mas ali,

naquela sombra

confortadora,

as memórias de ontem

estavam

muito longe,

e ela,

exausta;

de mais a mais,

os seus bebes

estavam sendo

afagados

e se estava

falando

com eles.

A tarde já ia

adiantada;

a brisa

que vinha do outro

lado do rio

era refrescante, e

por ora

gozava-se

tranquilidade.

Onde obter a próxima

refeição era

outra questão

– mas,

por que

lutar

agora?

.

J Krishnamurti; Comentários sobre o viver; tradução Hugo Veloso; editora Cultrix; 1995; p. 171

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