“Fotografo as coisas que não quero pintar, coisas que já existem.” Man Ray

 

Le Violon d’Ingres, 1924

 

 

Quem foi, perguntou o Celo

Que me desobedeceu?

Quem foi que entrou no meu reino

E em meu ouro remexeu?

Quem foi que pulou meu muro

E minhas rosas colheu?

Quem foi, perguntou o Celo

E a flauta falou: Fui eu.

 

Mas quem foi, disse a Flauta

Que no meu quarto surgiu?

Quem foi que me deu um beijo

E em minha cama dormiu?

Quem foi que me fez perdida

E me desiludiu?

Quem foi, perguntou a Flauta

E o velho Celo sorriu.

 

 

 

(Vinícius de Moraes)

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2 comentários sobre ““Fotografo as coisas que não quero pintar, coisas que já existem.” Man Ray

  1. Menina, peguei uma virose que me deixou fora do ar ontem… mas hoje parece que já amanheço melhor, pelo menos nada dói mais, só a alma… rs

    Estou lembrando de um poema do Álvaro de Campos em que ele diz que a metafísica é uma consequência de se estar indisposto… Citando o final desse poema, lembrando de cabeça, é assim: “Senhora Gertrudes, varreu mal esse quarto. Tire-me daqui essas ideias. Preciso de verdade e de aspirina.”

    Como é bom conversar de Fernando Pessoa com alguém que tem por ele a mesma paixão que eu… mas verdadeiramente a metafísica não é uma consequência de se estar indispo. Nessas horas, em que o corpo não funciona, nada mais funciona, nem as ideias, atua apenas o mecanismo de defesa da vida, que é ultra concreto.

    Mês de julho é um mês de férias pra mim, quero ver se coloco algumas coisas novas aqui no blog.

    Bjos

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