“No poema e nas nuvens…”

 

 

 

Do longo sono secreto
na entranha escura da terra,
o carbono acorda diamante.

 

 

 

 

 

No poema
e nas nuvens,
cada qual descobre
o que deseja ver.

 

 

Luar nos cabelos.
Constelações na memória.
Orvalho no olhar.

 

 

 

 

 

Quem é essa
que me olha
de tão longe,
com olhos que foram meus?

 

 

Para quem viaja ao encontro do sol,
é sempre madrugada.

 

 

 

 

 

Será sempre agora.
Viajarei pelas galáxias
universo afora.

 

 

Damos nomes aos astros…
Qual será nosso nome
nas estrelas distantes?

 

 

 

 

 

Pintou estrelas no muro
e teve o céu ao
alcance das mãos

 

 

De grinalda branca ,
Toda vestida de luar,
A pereira sonha.

 

 

 

 

 

Arco-íris no céu.
Está sorrindo o menino
Que há pouco chorou.

 

 

Tão longa a jornada!
E a gente cai, de repente,
No abismo do nada.

 

 

 

 

 

O sol se apaga.
De mansinho,
a sombra cresce.

A voz da noite
diz, baixinho:
esquece… esquece…

 

 

Nas mãos inspiradas
nascem antigas palavras
com novo matiz.

 

 

 

 

 

Perdeu-se em nada,
caminhou sozinho,
a perseguir um grande sonho louco.

(E a felicidade
era aquele pouco
que desprezou ao longo do caminho).

 

 

 

 

Poesia de Helena Kolody.

Imagens “miméticas” de tribos do vale do Omo (sul da Etiópia), reunidas pelo fotógrafo Hans Silvester no livro Natural Fashion – Tribal Decoration from África.

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