“Bom dia, tristeza.”

+ traduções de Amalia Bautista…

 

 

 

Negra bílis

Faz meses que ando rodeada

por uma substância negra e pegajosa

que tem invadido minha casa. As paredes,

o chão,  as janelas, os móveis,

a comida, os livros e a roupa,

as teclas do computador, as plantas,

o telefone… Tudo está impregnado

por este breu que respiro,

que me está matando pouco a pouco.

Chamam-no sábios e néscios

pelo nome de melancolia, a este lixo

que apodrece o coração e asfixia a alma.

 

 

 

¿qué haces aqui?

Acreditei que havia te dito adeus,

um adeus contundente, ontem ao deitar,

quando pude enfim fechar meus olhos

e me esquecer de ti e de tua malícia,

de tua persistência, do veneno nas tuas palavras,

de tua capacidade para me anular.

Acreditei que havia te dito adeus

para todo o sempre, e acordo

e te encontro de novo junto a mim,

dentro de mim, abraçando-me, numa só unidade,

invadindo-me, afogando-me, diante

dos meus olhos, à frente da minha vida,

debaixo da minha sombra, nas minhas entranhas,

em cada pulsar do meu sangue, entrando

pelo meu nariz quando respiro, vendo

pelas minhas pupilas, ateando fogo

nas palavras que saem da minha boca.

E agora, que faço? como poderia

te apartar de mim ou me acostumar

a conviver contigo? Comecemos

por demonstrar boas maneiras.

Bom dia, tristeza.

 

 

 

(Amalia Bautista)

 

 

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