O motivo para a metáfora

 

 

 

 

 

 

Tu gostas de estar sob as árvores no outono,
Porque tudo está meio morto.
O vento move-se como um coxo por entre as folhas
E repete palavras sem sentido.

 

De igual modo, tu foste feliz na primavera,
Com as meias cores de quartos-de-coisas,
O céu um pouco mais brilhante, as nuvens a derreterem,
O simples pássaro, a lua obscura –

 

A lua obscura iluminando um mundo obscuro
De coisas que nunca seriam bem expressas,
Onde tu mesmo nunca foste bem tu mesmo
E não quiseste nem tiveste de ser,

 

Desejando as euforias das mudanças:
O motivo para a metáfora, esquivando-se
Ao peso do meio-dia original,
O ABC do ser,

 

A têmpera rosada, o martelar
Do vermelho e do azul, o som cortante –
Aço contra insinuação – o clarão afiado,
O vital, arrogante, fatal, dominante X.

 

 

 

 

(Wallace Stevens)

– tradução de Pedro Ludgero

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