Prosa

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Falando em Árvore da Vida

desde que se tenha a vida

desde as raízes da planta

oriunda da semente

e não apenas a vida como a aparente nas folhas,

e considerando que existem mistérios obscuros

e que sustentam a vida das plantas

e que resistem mesmo ao exame da dissecação

– não que essa árvore seja um ser de outro mundo, é deste, mas

é de outro, também – e há mistérios na formação e na manutenção da vida,

como há no lúmen interior de cada célula capaz de reprodução,

como há nas estruturas dos átomos e

em nossa psique e em nosso planeta

e na formação e na continuidade do universo…

Evidente que tais leis, se elas pudessem ser formuladas,

quanto mais fidedignas com a realidade a qual se pretendem modelos,

não poderiam ser idênticas para todas as estruturas vivas,

teriam antes que ser múltiplas, como múltiplos são os organismos,

– o que convenhamos inviabiliza a formulação de leis, mas,

de modo funcional e, mal comparando – não a lei, mas o seu objeto,

seriam os assemelhados dos dínamos, que transferem cargas positivas

e negativas, de um polo a outro, gerando o eletromagnetismo dos corpos.

E quem sabe o mistério de todas as auras esteja nisso: numa transferência,

de matéria-energia organizada, de um meio a outro, numa troca sistêmica e

constante de fluídos bioquímicos a eletromagnéticos, elétricos a biológicos,

isso, ou qualquer outra alternância possível, até que tudo finde, infinitamente,

em um único vasto sistema integrado, que é o verdadeiro universo desconhecido

– para além da teoria do Big Bang – em agência de si mesmo.

Porque para haver a vida é preciso que se preencham dois estados geográficos:

que haja algum desnível e que de algum modo eles sejam comunicantes.

Em igualdade de importância estes são os dois fundamentos básicos da vida.

O que garante a nossa primeira formulação de lei para a existência da vida:

a vida advém de polos comunicantes.

A verdade é que a vida é um fenômeno que corre na direção do possível

e não na direção do ideal. Tanto que muitas vezes o que se acredita ser o

paraíso, meramente é um lugar de estagnação.

No entanto, a vida sempre vence no final.

Sempre. O que nos dá a segunda lei…

Sim, pois, tudo descansa, menos a vida. O que se pode perceber nas inquietações

poéticas, nos desvios da alma e certas disposições beligerantes e teimosas do espírito…

A vida brota assim dos lugares mais insuspeitos, sabidamente brota com abundância

dos pântanos, que são lugares de grande diversidade – quer dizer, de trocas.

Mas tudo terá vida em abundância, até o mais morno paraíso,

desde que se observe o seu fundamento polar constituinte.

E claro que afirmações retóricas como estas, e quaisquer outros argumentos de intelecto,

ou leis, por pior ou melhor elaborados sejam dos que aqui são feitos, são tudo, menos

a vida, que é outra coisa. A verdade é que nenhuma lei poderá um dia gerar vida,

como nenhum argumento poderá jamais desvelar o grande mistério que é a vida inexpugnável.

O que gera nossa terceira lei de vida: a vida é real.

Por outro lado, se nunca o que se diz é a vida, pode  ajudar a engendrá-la,

quanto mais o que se diga sirva para desestabilizar intelectos, desarmar espíritos…

Pois, do mesmo modo que a vida não vem do que a palavra revela,

pode vir do que a palavra incita, ainda mais se acompanhado de vontade

para desbravar a realidade além dos sentidos já conhecidos, crescentemente,

para mundos cada vez mais amplos, com outras explicações inteligíveis,

em direção aos mistérios…

Nós homens fraternos, racionais, operantes, criadores, aprendizes, criaturas, corpos

sexuados, seres políticos, objetos de políticas, pó de estrelas caídas, mentes, vazios,

anseios, interanseios, transanseios, entes, transcendentes, complexos, paradoxos, seres

contraditórios, dínamos, em nosso estágio de compreensão do cosmos,

e de nós próprios, e diante do nosso domínio unilateral da natureza, podemos

facilmente tirar a vida, e podemos fazê-lo em larga escala, mas, obter a vida

da pedra, isso é o que nós gostaríamos de fazer.

Mas não fazemos.

E não chegamos ainda nem um milímetro adiante de onde os medievais

alquimistas chegaram com as suas retortas na busca pela Pedra Filosofal.

Há é muita alma a se fazer

antes que o mundo acabe em poesia.

 

 

Juçana Corrêa

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