O mantra perdido

 

 

 

 

 

 

Quem pronunciará o seu nome

para que nasça a compaixão

que foi gestada há milênios

dentro do coração do homem

e que nunca no mundo floresceu

e que dentro do homem cresce

como um tumor e que o vai matar

senão nascer…

Quem terá esse poder

de se erguer acima da linha do horizonte

para ler o que foi escrito por um anjo

a mais pura palavra que um dia foi escrita

a mais simples e a única medida exata

que será capaz de abrir todas as portas

até os lacres de natureza mais cerrada

como os do homem de coração empedernido.

Eu? Só ouço o uivo do vento passar entre as folhas

e inseguro o meu telhado ranger sob as incertezas do céu

sem saber se o peso excessivo é pelo meu pensamento

ou se vem do em vão desabitado sentimento da lua

que toda noite refaz o seu deserto em busca do sol.

Como é o esperado na vida dos homens de fé

também eu espero pelo ponto final às dúvidas

o dia em que tudo venha abaixo

que trará ou minha danação ou minha libertação

seja o que for que venha e como venha será um fim.

Sei que deveria dizer alguma coisa

alguma coisa que mudasse o rumo previsível dos acontecimentos

mas o que poderia dizer ou fazer de diferente

que não acelerasse ainda mais a natureza dos acontecimentos previsíveis.

Tudo seria diferente se soubesse o que deveria saber mas esqueci

ou se tivesse comigo o que deveria ter e não tenho

onde foi mesmo que perdi e desaprendi a lição

que duramente conquistei em outras encarnações

o mantra que me desnudava toda a natureza divina.

Posto que não tenho mais comigo as palavras mágicas antigas

e que ninguém me dirá de novo o que devo por mim lembrar e dizer

ou de novo inventar

a única e solitária palavra

do verdadeiro nome de Deus

que Deus é para mim.

 

 

 

Juçana Corrêa

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4 comentários sobre “O mantra perdido

  1. Divino seu poema, lindo demais Juçana, acho que já te falei, mas vou falar de novo: Gosto mais dos seus poemas, dos outros autores são lindos também, mas os seus poemas… esse seu poema “O mantra perdido” toca muito fundo na alma, adorei.

    Acho que é porque me identifiquei tanto…

    Parabéns pela inspiração!!

  2. Isso só pode ter uma explicação: vc está sendo parcial no seu julgamento. rs Por me conhecer e termos essa relação de amizade e companheirismo, despreza poetas consagrados como Eugénio de Andrade e prefere a mim. :)

    É que a gente é muito autorreferente mesmo, é inevitável… o que está próximo nos toca mais do que o distante. Falando em próximo, estou pensando em escrever sobre os seis reinos no budismo, que podem ser plenamente entendidos como a realidade do plano astral, e, levantar algumas questões… por exemplo: será que a única maneira de sair dessa roda cíclica é pela meditação?

    Obrigada, adi e Adri! :)
    Bjos

  3. Pode ser que eu esteja sendo parcial, mas não é que eu despreze outros autores, eu vou lendo e depois é que vejo o nome do autor no fim do poema, mas aí eu já gostei um pouco ou muito, rsrsrs. Talvez seja por afinidades mesmo, pelo seu momento “budista”, pelos assuntos em comum. Verdade é que seus poemas são lindos sim e tocantes também, você é uma poetisa de muita sensibilidade e não perde em nada para os grandes poetas.

    Adoraria ler sobre os seis reinos no budismo, sim podeira muito bem ser equivalentes ao plano astral e também aos vários aspectos da percepção da realidade referentes aos chacras em nosso corpo. Seria muito interessante mesmo esse assunto e os vários pontos que seriam levantados.

    Estarei aguardando anciosamente o post, :)

    Bjs

  4. Oi Adi,

    Ontem eu sentei na frente do computador para escrever sobre os seis reinos e a relação dos estados mentais no budismo com a psicologia, e, acabou saindo uma poesia… já escrevi outras poesias com motivação budista, mas esta de ontem foi completamente de inspiração budista…

    Sabe, é difícil para mim avaliar o valor que possa ter a minha poesia aos olhos dos outros – mas sei que seus olhos são generosos comigo, em parte por causa da amizade que temos e outra parte por identificação, por termos esses interesses em comum, o que torna vc uma leitora especial e não comum da minha poesia. ;)

    Eu gosto do que eu escrevo, claro, não gostasse nem escreveria, e consigo avaliar que as minhas imagens poéticas são belas, capazes de tocar a sensibilidade de qualquer um que tenha interesse em me ler do meu ponto de vista. Acho por outro lado que o meu estilo é multifacetado, e de muitas formas e de muitas influências, é meio mutante tb, – talvez todo o meu esforço por escrever poesia seja a captura desse estilo – isso não é popular e, certamente, nunca será. E eu nada posso fazer para modificar essas coisas que são a essência da minha poesia, não posso e nem quero, mas, a qualidade técnica, isso sim eu poderia rever e melhorar, para só daí a minha poesia poder começar a ser comparada com a dos mestres… Percebe? E fico aqui me perguntado se devo ousar rever e enxugar os meus textos, se quero… Acho que não, escrevo poesia por amor, sou amadora e não profissional. Enfim, não quero ser reconhecida como poeta, porque isso me colocaria na condição de uma persona poeta, em que teria que representar mais aos outros uma poeta e ser menos alma de poeta, medo de perder minha alma de poeta… (brincadeirinha) não tenho medo, isso foi uma dramatização, não posso perder o que é minha própria essência.

    Bom, voltando ao mundo daqui de fora, ando com dificuldade de escrever prosa… não consegui escrever ontem nada dos seis reinos… mas vamos ver para a semana, como fica, acho que devo escrever um texto bastante modesto….

    Até…

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