Dá o nó & Desata

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Devíamos tornar as rosas as nossas mestras.

As rosas, que trabalham em oposição as suas pétalas, silenciosamente…

Uma pétala não briga com outra

e fica somente se achando…

Que as outras são invasoras alienígenas

e que ela sozinha faz a rosa.

Sabe apenas uma pétala que compõe harmonia.

E a rosa

simplesmente

dispõe beleza

no mundo.

A rosa não briga com nenhuma de suas pétalas

porque não renuncia sua natureza de rosa.

Ao redor do seu eixo-miolo

trabalha,

pacientemente…

Devíamos aprender com as rosas a morrer;

há tantas formas de morrer e só uma de viver…

 

Bashô disse: O que diz respeito ao pinheiro,

aprenda do pinheiro;

o que diz respeito ao bambu,

aprenda do bambu.

 

Devíamos aprender com a Natureza

a nos dispor ao redor do nosso próprio eixo:

oposição & complementaridade;

parte & totalidade;

solitários & coletivos.

Devíamos aprender a fazer do & o nosso eixo

a nossa única forma de viver.

Que o resto é a amplidão da morte num cosmos sem estrelas.

 

Quinhentos anos antes de Cristo, Heráclito disse:

O arco tem por nome a vida, e por obra a morte.

 

O arco

de onde uma seta dispara tão breve e sem volta: nossas vidas…

 

Gibran disse: Que o seu disparo na mão do arqueiro seja para a alegria.

 

E no século XII, o monge beneditino, Bernardo Moliacense, fez um poema em latim

que acabava com a seguinte sentença: Stat Roma pristina nomine, nomina nuda tenemus.

Algo como: Da Roma Eterna nós temos apenas o nome, resta-nos apenas o nome.

De onde Humberto Eco disse ter colhido o significado e a inspiração para a última frase

do seu romance O Nome da Rosa: Stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus.

Cuja melhor tradução é: A rosa permanece fresca apenas no nome, e nós temos apenas o nome.

 

A cidade pela flor; a flor pelo nome da mulher;

a mulher pelo ser desejado; o ser desejado pelo amor;

o amor como o significado da vida plena.

Triste e belo, como a vida.

Verdadeiro.

 

Em outras palavras, do Arquétipo só vivemos o símbolo

e não experimentamos de sua numinosidade senão o reflexo.

Que em outras palavras ainda, quer dizer que temos

a água e a sede, mas bebemos apenas a palavra

“água”

e seguimos sedentos.

 

Por outro lado, por que haveria de brigar uma verdade com outra?

Se é verdade, também…

O mesmo ser que ata, desata.

 

Quando, no Romeu e Julieta, Shakespeare diz:

Aquilo que chamamos rosa, com outro nome teria igual perfume.

O que é um nome? È algo.

Que algo? Algo que esconde algo.

O que esconde? Algo ainda mais profundo e que vive por trás do nome.

 

Por vezes parece que há uma guerra em curso entre as coisas & o nome das coisas;

entre imaginação & realidade;

mas

verdadeiramente

não há.

O mesmo ser que tem pensamentos, tem corpo, faz poemas, sente, vive…

Não há guerra e sim um confronto complementar entre as pétalas das coisas.

Não há meios de alcançar a realidade senão através da imaginação.

 

Uma & Outra.

 

Vida & Morte.

 

Conclusão: “A neve e as tempestades matam as flores,

mas nada podem contra as sementes.” Khalil Gibran.

 

Enquanto existir rosa, há a esperança.

 

 

 

 

Juçana Corrêa

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