Alquimia:

solve & coagula

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A alma escorre lenta pela carne humana
Feita de uma substância de metal líquido que não queima
Seu teor de visco e vapor adere aos corpos
Contorna-os
Transpassa-os
Empresta-lhe formas
Cores
Texturas
Aromas
A alma faz-se humana
Faz-se viva
Faz-se
A alma é múltipla
Fala com o seu corpo sem palavras
Que guarda todos os discursos do mundo

Mas a alma não é etérea
A alma é física
Cai com a pedra
Mergulha com o rio
Cresce com o capim
Flutua com a névoa
Risca os ares de relâmpagos
Corta as nuvens
Chove na terra
A alma humana é semelhante à alma da Terra
Da cor da ferrugem e do azul
Vai da lama ao céu
É multicor
E é negra
Para os olhos humanos opacos ao fim do universo
A alma do Universo é negra

A alma também é a morte
Que é também tudo o que ao nosso presente inexiste
Será também um dia o nosso corpo disforme e sem cor

Um corpo sem paixão é quase como a morte
É a alma sem a imaginação
Aprisionada no metal frio e enrijecido do passado
Somente o fogo de uma nova paixão
Capaz de derreter os sólidos e recompor as formas
Depois de muito fazer sofrer a alma entristecida
Também será capaz de a libertar

Por isso o fogo é necessário à alma
Tanto quanto ao corpo presentificar os momentos

O fogo é para a alma o que o sol é para o girassol
O que o ar é para o pássaro e a água para o peixe
A alma só é viva e revive no fogo
O fogo é o ferreiro da alma
O artífice de sua forja
O conhecedor de seus segredos
O guardador de suas chaves de morte e vida
Também causa.

 

 

 

(Juçana Corrêa)

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