Ascensão de “Sophia”

Harogomo

 

 

 

O Manto de Plumas

Bruma de primavera      primanévoa!
Planura de bruma pairando na terra.
Agora na luaperene inflora o jasmim cerúleo.
As flores da grinalda lunar cintilam:
cor-luz de primavera!
Fascina essa visão de quase-céu!
Ventos da altura
soprai!
Fechai o caminho volátil das nuvens!
Que a figura da donzela celeste     um instante
perdure entre nós.

Muitos são os jogos do Nascente
muitos são os júbilos do Nascente

Quem se chama Pessoa Alva da Lua
na décima Quinta noite culmina:
plenilúnio
plenitude
perfeição

Cumpriram-se os votos circulares
Espada e alabarda guardam o país.
O tesouro das sete benesses
chove
profuso
na terra.

Passa-se agora o tempo:
o celeste manto de plumas está no vento.

Sobre o Pinheiral de Miho
sobre as Ilhas Balouçantes
sobre o monte Ashitaka
sobre o pico do Fuji
flutua
excelso
dissolvido no céu do céu.

Esfuma-se na névoa
e a vista o perde.

 

 

 

 

********

Final da peça “Harogomo” (teatro Nô) atribuida a Motokiyo Zeami

Fragmento do livro Hagoromo de Zeami, tradução (transcriação) de Haroldo de Campos

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