O vocabulário da experiência constrói a mente

 

 

 

Alexander Jansson

 

 

 

 

OF MODERN POETRY

The poem of the mind in the act of finding

What will suffice. It has not always had

To find: the scene was set; it repeated what

Was in the script.

Then the theatre was changed

 

To something else. Its past was a souvenir.

It has to be living, to learn the speech of the place.

It has to face the men of the time and to meet

The women of the time. It has to think about war

And it has to find what will suffice. It has

To construct a new stage. It has to be on that stage,

And, like an insatiable actor, slowly and

With meditation, speak words that in the ear,

In the delicatest ear of the mind, repeat,

Exactly, that which it wants to hear, at the sound

Of which, an invisible audience listens,

Not to the play, but to itself, expressed

In an emotion as of two people, as of two

Emotions becoming one. The actor is

A metaphysician in the dark, twanging

An instrument, twanging a wiry string that gives

Sounds passing through sudden rightnesses, wholly

Containing the mind, below which it cannot descend,

Beyond which it has no will to rise.

It must

Be the finding of a satisfaction, and may

Be of a man skating, a woman dancing, a woman

Combing. The poem of the act of the mind.
 

 

 

(Wallace Stevens)

 

 

 

 

FOTOGRAFIA DE MULHER NUM MOLHE

O vocabulário da experiência constrói o poema,

pedra a pedra, somando o que se diz que é a vida

ao que dela dizemos. E no meio desta troca de

palavras, a mulher da fotografia avança até ao

fim do molhe, com o chapéu de chuva aberto.

Ouve as ondas, como se elas lhe falassem; e

olha para o outro lado da água, onde se abre

uma escura margem de ciprestes e choupos.

Eu diria que, entre a mulher e o bosque, correm

as águas do poema. Não sei dizer de onde

vem o seu curso, nem qual o estuário em que

deságua. Porém, se me aproximasse da mulher,

e lhe pedisse para fechar o chapéu de chuva e me

deixar ver o seu rosto, uma explicação poderia

surgir; mas acaso ela teria consigo a chave

do poema? O seu mundo limita-se a esta baía

que as suas mãos envolvem, numa busca de

recordações. E eu estou fora de tudo o que ela

pensa, enquanto construo o poema de que ela

faz parte, com a solidão que a protege de mim.
 

 

 

(Nuno Júdice)

 

 

PS:

Uma possível tradução para o moderno tardio:

 

O poema da mente no ato da procura

Pelo suficiente. Nem sempre foi preciso

Procurar: o palco armado; repetia-se o que

Estava no roteiro.

Então o teatro mudou

 

Para outra coisa. O passado virou lembrança.

Precisa agora estar presente, aprender a fala do lugar.

Precisa se encontrar de frente, estar atento aos homens

E mulheres desse tempo. Precisa pensar sobre a guerra

E sobre o que será suficiente. Precisa o necessário

Para ascender ao novo patamar. Precisa construir outro palco,

Subir nesse palco, e, como ator no exercício implacável

Do talento, medir, lentamente, as palavras que dirá

No ouvido da mente, ao delicado ouvido da mente,

Repetindo, exatamente, o que ela quer ouvir,

Os sons que uma plateia invisível escuta,

Não o ruído das falas, e sim o da mente, manifesta

Na emoção de duas pessoas que subitamente se tornam

Uma emoção somente. O ator é um místico em atuação

No escuro, tangendo um instrumento, afinando uma corda,

Até que dela tire o som preciso, que contenha a mente,

Abaixo do qual não se desce, acima do qual não se deve subir.

E precisa

Encontrar o que será suficiente, que pode ser

Um homem de patins, uma mulher dançando,

Outra ajeitando os cabelos. O poema no ato da mente.

 

 

P.S.2:

 

 

 

 

 

 

 

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