A Super Lua em Trânsito

Full Moon Silhouettes: Mark Gee

Lua, lua, lua, lua: Caetano Veloso

 

 

Somos tantos e impuros…

Para não dizer que não falei dos lírios 
pelos campos verdes de Salomão: a neve mata 
as flores, mas nada pode contra as sementes

Branca, branca, branca, branca
Enxuta, a concha guarda o mar
A minha, a nossa voz atua sendo silêncio

Mãe, Pai, o vento vai mudar
Pai, meu pai, me deixa seguir o vento

 

 

 

Tanto pra falar

E calamos… Calamos por tanto tempo, esquecendo os sons da nossa voz

 

Uma profusão de gritos arranhando as gargantas por dentro, nos fazendo sentir doentes

E tomamos xaropes, fazemos chás, atribuindo a culpa aos vírus, ao mau tempo

 

Uma enciclopédia para escrever

Uma vida para contar, duas vidas se entrelaçando, três, mil, milhões…

Experiências e pensamentos se acumulando, tomando forma e corpo depois de tantos livros, encontros, pessoas

Os sentimentos permeando tudo, dando valor de unidade ao que foi visto, pensado, vivido

E a dúvida de por onde começar, a ordem em que as experiências devem começar a ser narradas

E o mais difícil, eliminar o supérfluo e selecionar apenas o imprescindível

 

Tanto, e apesar, seguimos vivendo para fechar as contas no final do mês

Por inúmeras vezes nos perdendo da boa vida

Achando que a vida, quando muito, é essa coisa mediana variando os custos da planilha entre o azul e o vermelho

E nunca soubemos bem aproveitar os momentos de crise para nos reencontrar

As derrotas, os perdidos empregos, as separações amorosas, as mortes prematuras, as mortes inesperadas, as mortes…

Seriam oportunidades, tivéssemos tempo para viver o luto

Mas, temos pressa

A vida é curta e demonstrar fraqueza diante do tigre do inevitável poderia nos desmontar

Então, engolimos a ansiedade com ansiolíticos

A tristeza com antidepressivos e disfarçamos as dores com sorrisos brancos de peróxido de hidrogênio

E, se por acaso alguém se colocar na nossa frente, atropelamos

Qualquer um, entre nós e a meta…

E para onde é que estávamos indo mesmo?

 

Perdidos, compramos roteiros próprios para turistas

Pelos 10 Mandamentos do bom turista, o primeiro confirma:

O consumidor terá assegurado o seu direito inalienável de consumir

E suspiramos, aliviados: livres e consumidores

E compramos carros para exercer a nossa liberdade de consumir e chegar primeiro

Mas perdemos tanto tempo parados nos congestionamentos que resolvemos financiar outro mais veloz, luxuoso e confortável

Resultado: consumidores cada vez mais presos e endividados

Culpa do trânsito, é claro

 

Há quanto tempo isso vem acontecendo?

O silêncio, a bola de neve, os sagrados 10 mandamentos do bom consumidor

E colocamos o dedo indicador na têmpora e olhamos para o alto em busca de onde foi que tudo começou

Quando nossas más escolhas foram se acumulando e pressionando perigosamente o dique das nossas incertezas

Culparemos as águas, se rebentar a represa

 

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