Preparação para a Primavera

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Tempestade

 

 

Para que os cajueiros possam florir caiu esta chuva

que apagou as estrelas e encharcou os caminhos.

Água e vento derrubaram as cancelas antigas,

quebraram telhas, vergaram árvores, suprimiram cercas,

desalojaram abelhas e marimbondos,

enxotaram os pássaros predatórios,

e o galinheiro é um cemitério de pintinhos amarelos.

 

Este é o regimento do mundo: relâmpagos e raios

antes da flor e do fruto.

 

 

 

 

O Voo dos Pássaros

 

 

Os áridos pássaros que mudam as estações

não vieram nunca, embora eu os esperasse.

Acaso falam os homens do que viram?

Silenciosos são os lábios dos homens.

Grito ou palavra de amor não comovem

as pedras empedernidas pelo tempo.

 

Eram secos pássaros.

E o céu, que é plumagem, crepita.

 

Nem nos que voam nem nos que permanecem.

Não me demorei sobre nenhum pássaro.

Voando, eram a velha canção da infância morta

para mim, que sempre vi o que não existe

e eternamente verei o que jamais existirá.

 

Em voo, como os anos, a vida, o tempo…

 

Nada imaginei que pudesse ser admitido

pelos que não entendem uma teoria de pássaros.

 

 

 

 

 

(Lêdo Ivo)

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