A poesia ida

 

 

 

f u g a z

3471356621_e1189b374a_o

somente o fugaz é eterno 

 

 

 

 

 

 

No papel de serviço

escrevo teu nome

(estranho à sala

como qualquer flor)

mas a borracha

vem e apaga.

 

 

Apaga as letras,

o carvão do lápis,

não o nome,

vivo animal,

planta viva

a arfar no cimento.

 

 

O macio monstro

impõe enfim o vazio

à página branca;

calma à mesa,

sono ao lápis,

aos arquivos, poeira;

 

 

fome à boca negra

das gavetas, sede

ao mata-borrão;

a mim, a prosa

procurada, o conforto

da poesia ida.

 

 

 

 

(João Cabral de Melo Neto)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s