Sempre

 

 
Temos sempre

 

Embora nem sempre

exercida

 

A liberdade

do autor

 

Antes da publicação

do conto

 

Autores nem sempre reconhecidos

dos momentos

que antecedem

ao definitivo

 

Quando

ainda

paira no ar

a obra

inconsciente

 

Possuidores de uma liberdade inviável

mas possível

 

Do momento que tudo pode mudar

e tornar aquela história de sempre

 

Em outra

 

E outras histórias
 

 

 

 

*

 

 

 

 

 

Aflição de ser eu e não ser outra.

Aflição de não ser, amor, aquela

que muitas filhas te deu, casou donzela

e à noite se prepara e se adivinha

objeto de amor, atenta e bela.

 

Aflição de não ser a grande ilha

que te retém e não te desespera.

(A noite como fera se avizinha)

 

Aflição de ser água em meio à terra

e ter a face conturbada e móvel.

E a um só tempo múltipla e imóvel

 

não saber se se ausenta ou se te espera.

Aflição de te amar, se te comove.

E sendo água, amor, querer ser terra.

 

 

 

(Hilda Hilst)

 

 

 

 

 

*

 

 

 

 

 

vai pela sombra, firme,

o desejo desespero de voltar

antes mesmo de ir-me

antes de cometer o crime,

me transformar em outro

ou em outro transformar-me

quem sabe obra de arte,

talvez, sei lá, falso alarme,

grito caindo no poço,

neste pouco poço nada vejo nem ouço,

mais mais mais

cada vez menos

 

poder isso, sinto, é tudo que posso,

o tão pouco tudo que podemos

 

 

 

(Paulo Leminski)

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