O Furo

 

 

 

Roberto Edwards

Roberto Edwards

 

 

 

 

Estou crescendo para o alto e o calor
e
quanto mais ganho em altura
mais para baixo se entranham meus pés

Estou crescendo para os lados
e para o meu sonho
E na direção em que avanço
avisto
por sobre o horizonte
um oceano
de ar

E os meus olhos de azul em azul se embebedam

E como o mundo é redondo e eu pequeno
meu corpo gira
E como estou pregado a terra em dias de tempestade
giro feito o galo
da rosa
dos ventos

Certamente
que sou
uma
engrenagem menor
do mecanismo maior

Uma pequenina mola do Grande Relógio
e que um deus
despreocupado
e num outro plano tão mortal quanto eu
impulsiona

Mal sabe o deus ocupado em dar a corda ao Tempo
o quanto movimenta o meu mundo
ao dele atrelado

Sou já agora o ponto que se contrai
magoado

O ponto que foi tocado
e
tantas vezes
no mesmo lugar
que ao mesmo retorna
com a intenção da cura

Sou a coisa
e o alguém
que mil vezes se pergunta
se haverá mesmo outros planos
que se resume em ficar ao meio
da cruz
dentro do círculo
e que num momento entre o céu e a terra
ao seu máximo se expande
para no seguinte ao seu mínimo
se contrair

Sou

Estando

Nesse lugar
de iluminação
e
também
túmulo

E quanto mais me limito
em ser
nesse único ponto
mais cresço
para todos os lados

Sou uma linha
num universo entre linhas

Uma única linha
que vista de longe
é um ponto

Uma linha num moto-contínuo
e que a si mesma se envolve
formando
um círculo

E

Círculos
dentro de círculos

Que ao final se apagam

E no princípio
se refazem

Sou eu que insisto nesse desenho ilusório
até que no ponto insistido
meu chão se desgasta
e
se rompe

Sou o furo
nascido
do ponto
que fui

Numa folha rasgada
de um caderno
de poesias
desenhadas

Sou mais que eu
Sou as experiências que por ali passaram
e tudo o que se pôde delimitar em azul

E me dividi por viver essas experiências

Mais que eu
Sou
os olhos
que avistam no horizonte o além
surgido das mãos de um artista maior do que nós

Sou mais eu
Nas mãos
abertas
de um deus à procura do Si-mesmo

Mais que uns eus
Somos
nós
E nos rasgamos
para a possibilidade infinita
de abertura
para outros planos possíveis

 

 

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