Equinócio

 


Howard Schatz Bahman Farzad

 

 

Recolhimento moral para passar o tempo

Já que os dias têm diminuído sob o peso da injustiça

Essa abstrata e humana criação em que Deus pôs a mão para manchá-la de sangue

 

 

Abluções para se lavarem os rios do pecado humano de conspurcar contra a Natureza

Conspirando contra Deus na figura do seu próximo: subestimando-o; alienando-o;

Subjugando-o; tiranizando-o; escravizando-o; caluniando-o; assassinando-o;

E – como se não bastasse – amaldiçoando-o para todo o sempre

 

 

Penitência severa até que os dias voltem a ser iguais para todos

E os templos nos bosques sejam varridos do mal e readquiram o estado original de frescor

E as pétalas dos lírios retomem a simetria sagrada

E os rios retornem ao fluxo natural na direção do mar

 

 

Os pássaros poderiam ajudar: convoquemos os pássaros

Flores e música poderiam inspirar: convoquemos música e flores

Os mares poderiam se abrir: convoquemos a abertura dos mares

Os homens – sobretudo os homens – poderiam se arrepender: convoquemos os homens

 

 

 

 

 

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2 comentários sobre “Equinócio

  1. Bom você postar… já estava com saudades da sua poesia, por sinal muito linda e profunda.

    bjs

  2. Oi Adi

    Que bom que gostou :)

    Acabei de publicar outra… leva o título do meu assunto do momento: carma coletivo.
    Tenho pensado muito nisso, especialmente nós brasileiros, termos nos constituído enquanto nação com o sequestro e o sangue de tantos milhões de índios e negros – nosso sangue! Como o qt Casa Grande & Senzala ainda nos explica, infelizmente… e no qt – infelizmente outra vez – estamos longe de resolver isso… ao contrário, parece estamos é nos aprofundando nesse muito mau carma coletivo da escravidão… e num sentido bem amplo, de todos os lados por onde se olhe, explica-se a má qualidade de nossa educação pública, o descaso dos políticos com os direitos básicos do cidadão, o descaso do povo com os direitos humanos mais básicos… estou tb pensando que existem muitas formas em ser escravo, e ser capitão do mato ou senhor de engenho é apenas uma delas, talvez de uma escravidão pior e mais difícil de ser resolvida, porque camuflada… até qd vamos permanecer nisso – estou pensando no carma coletivo de nossa nação – e até onde a nossa ignorância vai ainda nos levar, além do inferno de injustiças que estamos criando aqui, depois, qd essa dívida nos será cobrada… coletivamente cobrada, quero dizer… isso é fatal, porque quem nasce aqui deve ter algum tipo de enrosco dessa espécie para resolver, se Deus quiser ainda nessa vida…

    Enfim, eu nem tenho comentado muito lá no Anoitan, mas continuo acompanhando seus posts :)

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