As Luas de Li Bai

 

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Nova de Verão

 

Subo o monte

madrugada ainda

Para admirar

o nascer do sol

Minhas mãos

separam as nuvens

 

 

 

 

 

Crescente de Outono

 

Os pássaros

partiram

A última nuvem

sumiu no ar

Ficamos a sós

só os dois

Frente a frente

parados

Um a olhar

para o outro

Um a contemplar

o outro

Sem nos cansarmos

de ficar

A montanha

e eu

 

 

 

 

Cheia de Inverno

 

Escrevo versos. Levanto a cabeça e vejo da minha janela

os bambus balançando lá fora. Fazem um ruído de fonte.

O céu é azul. Os caracteres que traço são como brotos de ameixeira preta

nascendo esparsos por um campo de neve. O frescor perfumado das mimosas de inverno

logo no ar se evapora, guardado nas mãos rapidamente se deteriora.

As rosas precisam de sol. As mulheres precisam de amor.

Os caracteres que traço não precisam senão do rumor dos bambus.

E são eternos.

Eternos.

 

 

 

 

Minguante de Primavera

 

Morrer? Viver? Sonhar?

Viver um sonho? Acordei naquele dia

e vi que um sabiá cantava entre as flores.

Perguntei ao pássaro que dia era aquele.

Primavera, foi o que me disse. Suspirei.

Tanto me comoveu seu canto. E me servi

de mais um poema. Embriagado então cantei

para aquele dia esperando a lua aparecer

por detrás da cortina do crepúsculo.

Ao fim da minha canção

tudo já tinha sido esquecido.

 

 

 

 

 

 

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