A Magia do Natal

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Criança

Dê um nome para a árvore, criança.
E a árvore cresce, generosamente, lentamente,
inundando os ares
de verdores deslumbrantes,
até tornar verde nosso olhar.

Dê um nome para o céu, criança.
E o azul do céu, a transparência da nuvem,
a manhã translúcida,
invadem nosso peito
até nos descobrirmos no jardim do paraíso.

Dê um nome para a água, criança.
E a água brota do chão recôndito
e banha a terra ressequida,
cintila nas folhas, reverdece a floresta,
e em úmidos vapores somos convertidos.

Não diga mais nada, criança.
E do silêncio nasce o sol,
a luz dourada,
a vida numa vaga solar:
sua maré mansa e irredutível
nos alça a altitudes tais
que nos devolve a ser quem somos, redescobertos.

Criança que eleva e ressuscita!
Vaga sem forma, sem fim, eterna!

 

 

*

Niña

Nombras el árbol, niña.
Y el árbol crece, lento y pleno,
anegando los aires,
verde deslumbramiento,
hasta volvernos verde la mirada.

Nombras el cielo, niña.
Y el cielo azul, la nube blanca,
la luz de la mañana,
se meten en el pecho
hasta volverlo cielo y transparencia.

Nombras el agua, niña.
Y el agua brota, no sé dónde,
baña la tierra negra,
reverdece la flor, brilla en las hojas
y en húmedos vapores nos convierte.

No dices nada, niña.
Y nace del silencio
la vida en una ola
de música amarilla;
su dorada marea
nos alza a plenitudes,
nos vuelve a ser nosotros, extraviados.

¡Niña que me levanta y resucita!
¡Ola sin fin, sin límites, eterna!

*

 

 

 

Octavio Paz

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