Elos

 

 

 

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Dos dias que se foram

De toda a tralha largada no meio do caminho

Da luta esganiçada por respirar mais um segundo

Apenas mais um segundo debaixo de todas aquelas certezas

Lembras?

Afinal que foram feitos daqueles dias

De tigres, de ratos e de mel

Acaso te lembras das cores numinosas com se pintavam os dragões

Tantas eram as demandas e maiores as imprevidências

Diz-me que foram feitos daqueles dias de barbárie

E o que se sucedeu

Se tiveram destino certo os sonhos

Ou se passaram sem maiores consequências

Como num piscar de olhos na mais negra escuridão

Diz-me

Todas aquelas noites e horas gastas em devaneios

Em fugas alucinadas

Afinal de quê, de quem, para quê?

Foram dissolvidos os pesadelos, elos, elos, elos?

Ou a vida se passou, assim, feito um esgar de asas de uma borboleta

Diz-me o que aconteceu com o manto acolchoado de medos que te apartava da vida

Tão irracionais eram teus medos quanto verdadeiros

E da capa cravejada de anzóis

Conseguiste por fim te desvencilhar?

Houve a implosão da super-nova?

E a almejada plenitude

Consubstanciou-se?

Bem sei que a vida foi tua

Que a tua é a minha

Que a nossa é como a de todos

Que o barco é só um

E um é o mar

 

 

Falo-te enfim com liberdade

E gravemente pois, sabes, o destino de toda a humanidade

Repousa numa mão

 

 

Abra as tuas e mantenha-as abertas

Pousa a pomba e não as fecha

– se ela pousa é porque em ti confia

 

 

Abra as mãos e mantenha-as abertas –

A vida se demora só o tempo de uma respiração.

 

 

 

 

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