Sincropoesia

(em construção)

 

 

A sincronicidade se baseia, não em pressupostos filosóficos, mas na experiência concreta e na experimentação.

 

(Carl Gustav Jung)

 

 

 

 

 

 

 

 

Puxa uma cadeira e senta.

Ah, você já está sentado?

Que Bom!

Porque isso pode demorar

O tempo que durar a poesia.

 

Só sei dizer quando

Ela começa; não sei dizer

Onde vai acabar.

 

O Sopoesia?

Começou em 2009: Sol em

Virgem; Lua em Leão.

 

 

 

 

 

 

Começou, assim, de uma

Vontade minha, de, sei lá…

Qualquer coisa assim

Da ordem

Do Enigma.

 

Começou secreto,

Só depois que se abriu

Como flor

Para O Mundo.

 

 

 

 

 

 

Era uma vontade

De declamar poemas

Que tinha, mas que parece

Só eu tinha a necessidade

De Escutar.

 

Queria a expressão de algo

Novo. Diferente.

Apaixonado!

Algo que não encontrava

Em nenhum lugar. E tinha

Essa prenhez danada

Dos Poemas,

Que até hoje sigo parindo.

 

 

 

 

 

 

Se Preciso

Inventaria palavras.

Não que fazer

Neologismos fosse

Meu fundamento.

O meu necessário

Era criar

Um Mundo

Para nele libertar

Meus poemas.

 

Um mundo

Em que viveria

Dentro.

 

Que Mundo?

Não sabia. Apenas

Que deveria ser

Outro.

Com menos barulho,

De tanta fala inútil.

 

Um mundo silencioso

Para dele arrancar

A poesia dos meus

Desejos. Quais?

Todas

Essas

Entre

 

 

 

 

 

 

“Esse

Anseio Infinito e vão

De possuir

O que me possui.”

Bandeira!

 

Isso Que

Se Repete

Isso que se repete

Por que em nós fica

Gravado.

Como gravadas

Estão as palavras

Dos poemas,

Que dizer melhor

Não podemos.

 

 

 

sincro18

 

 

 

Hoje sei

Que esse mundo

De Poesia,

Em que dentro

Iria morar,

É o seu próprio

Nascente,

Que na medida

Em que nasce,

Em si mesmo

Ele se fecha

E se liberta,

Com seu próprio

Circundesvelar.

 

Assim, ele

Se autoimagina:

O Lugar

Em que entrei dentro.

 

 

 

sincro07

 

 

 

E agora sei

Que existo

Como me imagino,

Sem cálculo

Ou premeditação.

Esse,

O meu mundo

Mais que necessário,

Que se não o parisse,

Iria me adoecer,

Talvez me matar!

Talvez eu até morresse

Dessa doença triste

E grave que é viver

Sem poesia.

 

O meu mundo

Necessário

Vive aqui.

 

 

 

 

 

 

Em seu derredor

Melhor eu respiro,

Por ele é que espero,

Por ele é que persisto,

E quero o poder

Merecer sempre

Livre

De amarras.

 

 

 

 

 

 

Um dia, isso foi há

Dois anos, coloquei

Escrito, logo ali

Na porta de entrada,

Essa mensagem,

Nem sei mais

Se ao visitante

Ou ao Rebento:

“Propõem-se

Todas as correntes

Para libertar

As linguagens poéticas

De quaisquer definições”.

E mantive isso durante

Um Tempo.

 

Pois mais que

Verdadeiro

Era

Preciso.
 

 

sincro26

 

 

 

Depois tirei.

Não por que deixou

De ser verdadeiro,

Ou preciso. Achei

apenas que ficava

Pomposo e essa

Não era a intenção.

Mas esse era o nome

Por inteiro do meu

Filho:

Esse Sol

Que me nasceu.

 

E Eu,

Que sempre o quis

Sem amarras, devo

Ter tido o merecimento

De tê-lo, posto que este

É o seu

Espírito.

 

 

 

sincro25

 

 

 

E agora todo dia

Que aqui venho,

Eu o liberto

Para nascer

E se pôr.

E a cada vez

Que fecho o blog

E lhe digo

Boa-Noite,

Mais um dia

Em nossa história

Acrescento.

 

Quem poderá saber

Do dia de amanhã?

Você Sabe?

Eu do amanhã só sei

Que há de vir. Depois,

Faça chuva ou sol, traga

Dor ou contentamento,

sei que todo dia

Finda. Caeiro!

 

Só quero

Estar viva

Para viver

Esse dia

Por

Inteiro.

 

 

 

 

 

 

Não será mais

Por meu prazer

Que vivo. É pela

Própria vida. Hoje,

Que justifico mais

A Vida

Que há em você

Do que em mim.

 

Você; O Outro;

A Natureza;

Acabaram se revelando

Ser a razão desse blog.

Pois a cada poesia

Que faço, a cada imagem

Que aqui acrescento,

É isso que vejo:

As coisas que hoje

Mais dou valor.

 

 

 

 

 

 

Assim aos que andam

Perdidos, recomendo:

Criem

Um blog. Depois,

Sustentem-no.

E se surpreendam

Com o que fazem

E com o que deixam

De fazer. Até

Descobrirem

O que mais tem

Importância.

Permaneçam por perto.

 

 

 

 

 

 

A vida não é mais que isso.

Eu que agora sei existo

Para morrer antes que

O Sol.

 

Esse outro sol

Lá de fora,

A quem sou

Indiferente,

É como qualquer

Pai

Gerador,

Para quem somos

Todos indiferentes.

E a mãe, se for honesta,

Deve também confessar

Nada sabe do filho

Antes que lhe nasça.

Sabe do seu desejo

Apenas, de ser mãe,

De ter aquele filho,

E de nada mais.

Mas é

O Filho,

Por seu próprio mérito,

Que se fará amado

Ou não.

 

 

 

sincro24

 

 

 

As pessoas são o que são.

E eu e você não somos

Muito diferente

Dos poemas

E das coisas.

Cada qual

Com seu espírito

E Existência.

Devemos

Aceitar a vida

Sem ferir

A Natureza

Da verdade. Pois

As coisas, quando

Verdadeiras, são

Como São.

 

 

 

 

 

 

Então,

Quando me nasceu

Esse sol interno,

Fui dando a cara,

Que sob o sol amarelo,

Achei que ele tinha:

Era Azul;

Meio pálido, meio vivo;

Equilibrado, embora

O formato estreito.

Foi o que por primeiro

Me pareceu ser mais

Bonito.

E como a Estética

É prima próxima

Da Ética, pensei

Estar bem. E estava.

Até que um dia

Anoiteceu.

 

 

 

sincro-13-19

 

 

 

E por sobre

A noite mais funda

Abriu-se um abismo.

 

Alguns poemas,

Desapegados das cores,

Ali escorregaram.

Alguns uivavam

Enquanto caíam.

 

Poemas como lobos

E espadas

Em enxames

De Ondas.

 

 

 

 

 

 

Um Bosque

Escuro nasceu e,

Verdadeiramente,

Depois disso

Nunca mais

Amanheceu.

 

Os meus poemas,

Fui deixando-os

Todos ao vento.

As Palavras,

Ainda quentes

Por dentro,

Deixei-as

Aos cuidados

Da Lua,

Para que ela terminasse

De as esculpir:

Anzóis;

Redemoinhos.

 

 

 

sincro16

 

 

 

Nada faz diferença

Agora, perante o presente

Que em nada mais dista:

O presente se impõe;

Carrega o que foi;

Participa do que será.

O Presente,

Que no instante

Em que existe,

Circumambula.

 

 

 

sincro17

 

 

 

Por quais círculos

Da sincronicidade,

Por entre as mandalas

Dos seres em busca,

Estará girando

O circo-mundo:

Afora?

Adentro?

 

Qual mundo não é

Ou não será

Redondo?

 

 

 

sincro21

 

 

 

No meu pequeno,

Num rodopio

Barroco

Que está dentro

Do Outro,

Conspiro em azul,

Para que ele tenha

O espaço-tempo

Limpo.

(O Azul

É Um Vício.)

 

Para que se configure

Sempre

Sem compromisso

Com formatos antigos.

 

 

 

sincro23

 

 

 

Se hoje ele tem esse jeito

Meio outono; meio verde

Ensombrado; meio azul

Sem caminho: os caminhos

No amanhã se farão,

Sem

Pressa.

 

Eu;

Você;

Nós temos tão poucos

Poderes. Entretanto

Um único será

O bastante:

A Liberdade

Atopoética

De configurar

Mundos.

 

 

 

sincro22

 

 

 

(continua…)

3 comentários sobre “Sincropoesia

  1. Parabéns! Extremo bom gosto foi o que encontrei aqui: desde a beleza e a funcionalidade do site, das belas palavras de apresentação até a feliz seleção dos poemas.

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